quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

1 Mês de estrada

Hoje comemoramos 1 mês de viagem, mas a sensação é de muito mais, seja pela intensidade de coisas que vivenciamos, seja pela saudade dos que ficaram e nos acompanham via internet nessa jornada, mas principalmente porque o tempo, apesar de igual a todos parece passar mais devagar dependendo de onde se está.

Por isso gostariamos de agradecer imensamente a todos que desde antes de nossa saída de SP estão nos ajudando e também viajando virtualmente conosco.

Agradecemos também a todos que conhecemos desde a saída de SP até aqui, muitos que pelo orkut tem nos adicionado e mantido o contato.

Obrigado mesmo.

Nesse 1 mês de viagem já pudemos comprovar como esse país é diversificado e muda muito em tão poucos kilómetros.

Desde nossa saída de SP a paisagem foi se modificando muitas vezes. Encontramos o verde e o clima da Mata Atlântica no Espirito Santo e Sul da Bahia, conhecemos a aridez do sertão bahiano, pernambucano, paraibano e cearense com seus mandacarus, passamos pelo Piauí onde novamente começamos a nos reencontrar com o verde que se consolidou novamente no Maranhão e se apresenta muito mais vivo agora aqui no Pará, portal da Amazônia.

Em todas essas paisagens encontramos a água como fator de transformação da paisagem e da vida. Vimos rios e açudes cheios e também secos, vimos muitas cisternas, cruzamos por rios importantísimos como o São Francisco e o Parnaíba e vimos também a água contaminada e o esgoto a céu aberto em diversos lugares.

Pegamos boas estradas, pegamos péssimas estradas, de asfalto, de terra, de pedra e de areia, estradas que pareciam pinturas, algumas delas surrealistas de tão sinuosas ou mal feitas, pegamos retas que pareciam levar ao infinito e em muitos casos nos remetiam a sensação de que estávamos sós no mundo e que ao final da reta haveria um grande abismo.

Passamos por muitas cidades, algumas grandes, outras menores, mas o que chama mesmo a atenção são os povoados de beira de estrada com suas casas de pau-a-pique onde a vida parece não existir de tão desertas que são as ruas onde os únicos sinais de vida comum a todas elas são as antenas parabólicas e as "inofensivas" cadeiras de plástico sempre colocadas à porta.

Passando pelas cidades vimos a política através das prefeituras e das pessoas que a compõe. Vimos praças e construções daquelas que marcam a gestão de qualquer prefeito. Vimos que em muitos casos o serviço público e o comércio são as duas únicas fontes de emprego nas cidades. Vimos a religião através de inúmeras igrejas católicas e templos evangélicos. Vimos os bares sempre com algum movimento, vimos camionetes adaptadas ao transporte das pessoas da roça para a cidade. Vimos os inúmeros moto-taxis e também as motos com suas carretinhas engatadas, responsáveis pelo transporte de quase tudo. Aliás a moto é o meio de transporte mais popular pelo nordeste. Outra coisa muito popular nas cidades são os carros de som, que vão desde as antigas veraneios com quase 2 andares de som usados para propaganda aos carros atuais com todo o porta malas recheado de auto falantes, sempre tocando a mais nova novidade do forró ou brega.

Também encontramos muito plástico, ou melhor, muito lixo, em algumas regiões a sensação era de que um furacão havia passado e espalhado o lixo pela cidade. A presença das embalagens plásticas coloridas se destacam na paisagem sempre em tons de terra. E infezliemente em muitos locais ainda é muito comum vermos as pessoas jogando tudo pelas ruas.

Avistamos animais, muitos animais, até que um deles não nos avistou e entrou na nossa frente de repente. Até aqui, além da Guery como mascote, elegemos como simbolo o burro, sempre simpático parecendo sorrir enquanto passavamos.

Provamos comidas, muitas comidas, algumas já conhecidas em SP, outras existentes somente na região que estávamos. Apesar de comermos prato feito quase todos os dias pudemos conhecer os temperos de cada região e sempre sermos apresentados à frutas, sucos e comidas típicas de cada lugar. Sempre comida muito boa.

Por fim encontramos pessoas, muitas pessoas, pessoas simples, engraçadas, bem humoradas e cheias de história para contar. Nesse item é que encontramos a riqueza maior desse país, mas também muita desiqualdade e injustiça. Encontramos turistas, viajantes de vários lugares apaixonados pelo Brasil, muitos se questionando sobre a vida nas grandes cidades. Encontramos pessoas que ao serem perguntadas sobre algum caminho ou informação param tudo o que estiverem fazendo e explicam com todo o cuidado e educação. Encontramos familias que passam horas em frente de suas casas conversando em suas cadeiras. Encontramos o sertanejo, daqueles que ainda andam com suas roupas e chapéu em couro, carrega a pexera na cintura e tem em seu rosto as marcas idênticas a da terra, as rugas e o tom de pele como a seca do sertão. Encontramos as crianças, sempre alegres e curiosas, que ainda bricam ativamente nas ruas, mas que compartilham a fixação pelos computadores assim como qualquer criança das grandes cidades, lotando as lan houses das cidades praticamente o dia todo. Encontramos mulheres, ou melhor, meninas que se casam ou têm filhos muito cedo e em muitos casos com homens bem mais velhos. Encontramos outros artistas, com suas músicas, danças e poesias, recitadas no repente ou escritas em forma de cordel. Artistas que não só mantém a cultura e a história dos lugares viva, mas também artistas que questionam e lutam por mais arte para sua cidade ou região.

Acima de tudo em todas as cidades encontramos o Sr. Brasil

Encontramos pessoas cujos sonhos são comuns: trabalho, saúde e paz!

Mas o melhor de tudo isso é que esse breve relato é praticamente referente a uma região desse imenso país.

Seguiremos em breve para o Centro-oeste

Continuem viajando conosco

Abraços

Equipe Circo do Asfalto